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Ana
Aly
( Leia abaixo comentários
sobre a artista )
“Sua pintura traz reminiscências do grafismo que
extravasa para uma gestualidade em estado de equilíbrio quase
perfeito entre a contenção dos traçados regulares
e a liberdade transgressora.
O gesto se prende e se solta como numa cadencia harmônica, ponto
de encontro entre o acaso e a ordem.
Ana aly está nitidamente em evolução. Do lápis
- pincel, ela já vai para tinta acrílica. Do papel, ela
quer saltar para tela. Sempre guardando a fidelidade ao sêmen
que a fecundou: os padrôes invariantes da forma traduzida em gesto.
Não à toa tem conseguido manter, quase à perfeição,
o cruzamento entre o geometrismo e o orgânico. O que há
de vida no artifício, o que há de artifício na
vida".
Lúcia Santaella,
semioticista (1991)
professora titular da PUC-SP, pesquisadora associada no Research
Center for Language and Semiotic Studies em Bloomington, Universidade
de Indiana. É membro associado do Grupo Interdisciplinar de Pesquisa
em Cultura da Universidade de Kassel. Tem 23 livros publicados. Além
dos livros, Lucia Santaella publicou mais de 200 artigos no Exterior
e Brasil.
"Há a riqueza da cor, é claro, assim como
um maravilhoso sentido de confiança na comunicação
de todas as implicações da composição plenamente
realizada, que rejeita respostas superficiais. Na obra de Ana Aly, estamos
claramente diante de uma mente questionadora. A questão é:
como o pintor respeita a materialidade do meio e, ao mesmo tempo, força-o
a transcender-se sem cair na narratividade barata, na reciclagem e no
pastiche da moda pós-moderna ou na simulação de
gestos na direção da cultura popular?
Como as possibilidades infinitas do meio podem ser levadas à
produção de um sentido "humano" em máximo
grau? O que o "humano" quer dizer em pinturas como essas?"
Harry Polkinhorn, (1993)
poeta, escritor, jornalista, crítico literário, psicoterapeuta, editor
e professor na San Diego State University.
"Ana Aly combina uma sensibilidade retiniana extrema com
um desejo absoluto de controlar a visão estética. A sua
experiência de várias irregularidades de visão intensifica
a sua consciência, já muito desenvolvida, da mobilidade
infinita da experiência visual e da precisão humana de
impor quadros racionais sobre as formas e cores múltiplas da
natureza. Assim, o prazer intenso (e muito brasileiro) de gozar a riqueza
da experiência visual une-se no seu trabalho a uma ânsia
de focalização (muito européia). De fato, a história
da arte ocidental, ao menos da Renascença ao Impressionismo,
com a sua preocupação com a perspectiva, a composição,
o enquadramento, etc., conta a crônica das reações
de diferentes gerações de artistas ao problema da visão.
A obra de Ana faz parte desta tradição porque, em sua
maior parte, constitui uma série de exercícios que busca
delimitar o que é o jogo de fechamento e abertura que constitui
o mundo da visualidade".
David Scott,
professor do Trinity College (Dublin, Irlanda), crítico de arte
e curador, é autor de Paul Delvaux - Surrealizing the Nude (Reaktion
Books, Londres, 1992) e European Stamp Design (Academy Editions, Londres,
1995).
Continuação e Renovação : Como um presente
inesperado
"Falando
como artista, estou convencido que o único que pode revitalizar
o diálogo que temos buscado sempre os artistas é a honestidade
do impulso criativo e a perícia com qual criamos. Uma honestidade
transparente como o ar e uma perícia de ourives certamente constituem
a poderosa base sobre a qual se ergue a obra de Ana Aly. Sua constante,
cada vez mais para atingir a busca de harmonia é dada através
de superfícies complementares, tatilidade e caligrafias imensamente
poéticas, como em seu afã para transmitir a temperatura
de seus sentimentos mais pessoais e a cor de suas mais íntimas
sensações. Com cada obra, Ana Aly pede ao espectador que
se decifre suas charadas com máximo cuidado, não porque
está sem críticas, e sim porque são como cristais
multifacetados. Para se aprofundar nelas, o espectador deve investir um
esforço terno e firme, tão íntimo como o que impulsiona
a artista a criá-las".
Felipe
Ehrenberg
Artista visual, neologista, teórico e atualmente adido cultural
do México no Brasil.
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